segunda-feira, 27 de março de 2017

Entrevista Marc Ford

   Marc Ford é um daqueles guitarristas que deixa a sua marca com apenas uma nota. Com duas passagens pelo Black Crowes, a primeira durante o auge da banda, sua guitarra marcou os anos 1990 em discos como Southern Harmony and Musical Companion e Amorica. Em um papo quase aberto o guitarrista fala algumas coisas sobre o Black Crowes e a carreira solo.
   Sim, "quase" aberto porque ficou claro em alguns momentos que o músico estava de "saco cheio", respondendo apenas por obrigação. Em duas oportunidades, inclusive, optou por editar a pergunta ou simplesmente não responder. Primeiro quando perguntado "Por volta de 1997 você foi demitido do Black Crowes devido a um sério problema com as drogas. Acredito que tenha sido bem difícil. Podemos dizer que após todo esse problema o seu som ficou mais espiritualizado? Tenho essa impressão quando escuto o seu disco Holy Ghost..." e ele respondeu apenas sobre a tal mudança no som [pergunta/resposta ao longo da entrevista]. Depois ignorou "Na reunião do Black Crowes em 2006 você foi chamado mas logo depois demitido. Naquele momento seu advogado o recomendou o silêncio para não trazer possíveis consequências legais. Essa postura/decisão continua?". 
   Apesar disso tudo é uma entrevista bem interessante com um dos maiores guitarristas do blues-rock dos anos 1990. Vale a leitura e depois conferir seu novo projeto solo ao lado do The Neptune Blues Club!


Ugo Medeiros - Você nasceu na Califórnia durante os anos 1960. É impressionante a quantidade de bandas californianas de diferentes estilos, uma melhor que a outra. Por lá tem grandes bluesmen, bandas de rock psicodélico, folk-rock, blues-rock, surf music, punk, hard core. A sua primeira banda, Burning Tree, era um rock cru, às vezes até uma pegada punk! Você poderia falar sobre a música da Califórnia e o início da Burning Tree? Naquela altura sua maior influência era o blues-rock?

Marc Ford - Naquela época eu não tinha essa coisa de categoria, como "blues-rock". Não havia internet, a televisão tinha apenas seis ou sete canais e eles não funcionavam 24h por dia. Ou nós tínhamos um irmão mais velho meio estranho ou pais malucos para nos apresentar discos do Black Sabbath, Alice Cooper, Led Zeppelin. Aquele mundo e aquelas bandas pareciam, de certa forma, um tabu e eu queira conhecer mais sobre aquilo tudo. Era como se alguém quisesse manter algo escondido. Portanto, corri atrás! Assisti filmes, alguns revia sempre, como The Kids Are Alright do The Who, vídeos do Jimi Hendrix e  Ziggy Stardust and The Spiders from Mars. Para mim esses registros tinham vida e me mostravam a coisa mais "real" que já tinha visto! Comecei a tocar os instrumentos no ar, fazendo mímica. O punk já estava pela área, já era um movimento proeminente naquela região. Na real, também tinha uma cena gótica (final da década de 1970), era uma vida completamente diferente daquela do subúrbio. Eu estava interessado nas diferentes facetas da música em um sentido mais amplo. E, claro, nós tínhamos vinte anos e éramos "sem freios".

UM - Logo após o disco de estreia do Burning Tree você foi convidado para integrar o Black Crowes. Como você conheceu os irmãos Robinson? Você e Chris tiveram uma química instantânea, né? É impressionante como o seu slide complementa o vocal dele...

MF - O conheci através de um colunista da NME [New Musical Express, uma revista de rock inglesa]. Quando o escutei cantar pela primeira vez falei com a minha esposa: "Esse cara canta como eu toco guitarra, eu vou tocar com ele!". Nisso conheci o Rich e ficou claro que havia "algo" no jeito de nós dois tocarmos juntos.

UM - Durante a sua passagem pelo Black Crowes a banda gravou os melhores discos. Você poderia falar um pouco sobre a gravação do primeiro disco, Shake Your Money Maker?

MF - Esse disco foi um marco, nós precisávamos desse disco. O mundo estava de saco cheio de bandas de "rock comercial", mas nós éramos uma banda de rock'n'roll!

UM - O segundo disco, The Southern Harmony and Musical Companion, na minha opinião é o melhor dos anos 1990. Soa como um Led Zeppelin com toques de Lynyrd Skynyrd e temperos de Allman Brothers Band. Você concorda?

MF - É um grande disco, de fato, essas influências que você citou estavam lá, mas não consigo escutar esse Lynyrd ou Allman diretamente. Essas bandas não tocavam tanto na costa oeste como no sul. Agora, é claro, desde garoto eu tinha uma queda pelo rock sulista.

UM - Vocês ainda lançaram Amorica e Three Snakes & One Charm. Entretanto Lost Crowes, álbum com material inédito (e muito bom, diga-se) foi lançado quase dez anos depois. Você sabe o porquê desse atraso? 

MF - Não. 

UM - [N.E.: Pergunta que ele excluiu a primeira parte e respondeu apenas o final]. Podemos dizer que a sua música se tornou mais espiritualizada? Tenho essa sensação quando escuto seu disco Holy Ghost...

MF - [N.E.: A resposta perde o sentido e me faz parecer um amador]. Isso cabe a você responder. Eu sou muito espiritualizado e a minha música segue.

UM - Logo após a sua saída do Black Cowes você tocou um tempo com o Gov't Mule ainda que informalmente. Como foi essa experiência? Considero o Warren Haynes Top 5 dentre os guitarristas da atualidade e coloco Allen Woody como o maior baixista da história do rock!

MF - Foi muito divertido, aqueles três eram caras incríveis.

UM - Ainda com o Allen Woody, você participou do Blue Floyd, um projeto de tributo a Pink Floyd. Você poderia falar sobre o Pink Floyd na sua vida?

MF - Desde que o Pink Floyd foi lançado seus discos marcam um momento de amadurecimento na pessoa. Meus filhos, assim como eu, escutaram quando tinham 13 ou 15 anos e adoraram. As gravações falam diretamente para essa faixa etária. Sempre me impressionei e ainda me intriga o fato da banda saber utilizar o espaço entre as notas, eles sabiam como deixar o ar naquilo. É um espaço para o trabalho divino.  

UM - Logo depois você tocou com o Ben Harper & The Innocent Criminals. Como você o conheceu? Como foi essa experiência?

MF - Ben me escutou tocando com o Chris Stills em um festival e veio conferir "de onde esse timbre de guitarra estava vindo?".

UM - Você também tocou com o Booker T. Jones, uma lenda do R&B, em 2009. Você poderia falar sobre essa honra?

MF - Acho que foi uma indicação do Steven Hodges. Ele tocou com o Rick Holmstrom na banda da Mavis Staples. E assim acabei entrando na banda do Booker T. Jones. Atualmente o Steven Hodges é um membro da Neptune Blues Club.

UM - Sua atual banda solo Marc Ford & Neptune Blues Club é fantástica! Você já gravou dois discos com eles. Você poderia falar sobre o último, The Vulture?

MF - É uma banda que nasceu nas vizinhanças, amizades construídas em torno de um estúdio que eu gravava algumas coisas. Naturalmente, sem pressa, começamos a tocar juntos, muitas jams sessions. Tem muitos membros que tocam conosco e muitas casas para nos apresentar, por isso nem sempre todos eles conseguem acompanhar a banda. Claro, a banda sempre terá os quatro principais: Arvizu (bateria), Bazz (baixo acústico), Malone (teclado e vocais de apoio) e eu. Acrescente aí Hodges (percussão) e Bill Barret (gaita) e você terá a formação do primeiro disco. Eu queria um disco mais limpo para Vulture, por isso voltei com o quarteto "clássico" e mudei de baixo acústico para o elétrico. 

UM - Atualmente você também toca com o Rich Robinson no The Magpie Salute. É quase uma all-star band com um som incrível. Como esse projeto nasceu?

MF - Recebi um telefonema perguntando se eu topava, respondi que sim imediatamente. Rich e conversamos e ele me convidou para tocar em Woodstock (NY) ao lado de alguns convidados. Eddie Harsch [tecladista que tocou um tempo com o Black Crowes] foi um deles. Tivemos momentos incríveis novamente e ficou claro para mim que essa parceria não havia terminado.


Abaixo alguns vídeos dos seus trabalhos solo!






domingo, 19 de março de 2017

Versões #21


   Chuck partiu para a jam session celestial. Há de convir, agora mais divertida! Não, não considero Chuck Berry "O" pai do rock - divido essa paternidade por três, Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Little Richards - mas longe de mim desmerecer o velho Berry, que foi, sim, um dos maiores ícones do rock'n'roll. E, claro, uma máquina hits.
   O vi em 2008 em um show que por pouco não foi o último. Poucos sabem, ele teve uma parada cardíaca antes do show e uma injeção de adrenalina o resgatou. Na hora estranhei, ele mal se mexia, dificuldade para solar e cantar, associei à idade avançada (82 ou 83). E ainda assim me diverti.
   Deixando de lado a insensibilidade dos produtores ($$$$), fui privilegiado. Pensei, ele viu o rock nascer!, ele estava lá!... Ele viu e fez parte daquela porra! Ele teve richa com Jerry Lee Lewis, disputou hits nas paradas com Elvis Presley, influenciou a maioria dos guitarristas sessentistas. Isso não é pouco.
   Minha humilde homenagem a Chuck Berry, um "versões" com Maybelline, gravada em 1955 e produzida pela Chess Records, essa "A" gravadora do blues elétrico. Impressionante quanta gente de diferentes linhas na música o cara inspirou. Evidente, a original é a definitiva, a do Jerry Lee Lewis é muito boa, entretanto a de John Hammond Jr é fantástica, um blues matador! O primeiro vídeo é uma entrevista bem bacana e fala um pouco sobre a música.

Chuck Berry




Carl Perkins



Jerry Lee Lewis



Elvis Presley



Marty Robbins



Johnny Rivers



Ted Nugent



Foghat



Gene Vincent



Tommy Sands



The Dovells



Hoyt Axton



John Hammond Jr.



The Searchers


quinta-feira, 9 de março de 2017

terça-feira, 7 de março de 2017

sexta-feira, 3 de março de 2017

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

1º Curitiba Jazz Festival

[Press Release]


Três dias de jazz da maior qualidade é o que o público desfrutará durante o 1º Curitiba Jazz Festival, promovido pelo Curitiba Backpackers Hostel nos dias 21, 22 e 23 de outubro. Será um encontro dos melhores músicos de jazz da cidade, todos com carreira de destaque nacional e internacional. Ainda haverá gastronomia, mostra de cinema de jazz (sábado e domingo), bazar, troca de discos, exposição de artes, fotografia e live paint.

Programação completa:

21/10 Sexta-feira, a partir das 18h

– Sub Jazz a Reunião, uma formação especial da velha guarda do jazz paranaense com Helinho Brandão, Saul do Trumpet, Paulinho Branco, Sandro Guaraná, Fernando Kakau, Allan Giller Branco e Ian Giller Branco.  


- After na Casa Verde para as 100 primeiras pessoas que chegarem ao festival. A Casa Verde fica na Rua Barão de Antonina, 54, a 100 metros do hostel.


22/10 Sábado, a partir das 11h

- Rodolfo Reichmann Trio. Já está há 16 anos na estrada, liderado pelo maravilhoso pianista Rodolfo Reichmann. Tocou em diversos festivais no Brasil e no mundo, nos principais bares de Jazz em Nova York, e foi destaque na cena jazz paulistana. A discografia conta com quatro albuns. 


- Saul do Trumpet Quarteto. Precursor do jazz no estado do Paraná, Saul é o único artista vivo que teve uma premiação também com seu nome, o ‘’Prêmio Saul do Trumpet’’. Já tocou com diversos ícones da música, incluindo Waltel Branco, Mauro Senise, Hermeto Pascoal, Leny Andrade, Arismar do Espírito Santo, Proveta e Helio Brandão. 

- Sotak Brasil Jazz Fusion. Está há 30 anos na estrada, e já participou dos principais festivais de jazz no Brasil e no mundo. Entre eles, por quatro anos no Montreux Jazz Festival. Foi premiado como melhor CD do ano no prêmio ‘’Saul do Trumpet’’. Seus integrantes foram os idealizadores do festival JAZZ BRASIL.

- Gegê Felix Trio. Com uma personalidade própria, Gegê Felix impressiona não só pelos arranjos e originalidade de suas composições, mas também pela clareza das notas que extrai do seu instrumento, o violão, ao qual se dedica desde os 10 anos de idade.


23/10 Domingo, a partir das 15h.


- Ná Tocaia Trio. A música do Ná Tocaia Trio mostra a produção atual de músicos de trajetória internacional. O baixista Glauco Sölter gravou três CDs solo e tem atuado em festivais ao redor do planeta, enquanto o guitarrista Mario Conde, que morou quatro anos na Suíça, é considerado uma das revelações da musica instrumental brasileira. Por sua vez, o baterista Endrigo Bettega tem sido requisitado por artistas nacionais e europeus para turnês e gravações. 

-Jazz Maia. A pianista Marília Giller é, sem dúvida, uma das grandes personalidades da música instrumental curitibana. Como historiadora e pesquisadora, ela trabalha pela conservação e disseminação da arte musical desde os seus primórdios. Na outra ponta, ela se envereda pelo jazz fusion. Marília toca com seus dois filhos, Alan Giller Branco no baixo, e Ian Giller Branco na bateria e Steel Drum.


PONTOS DE VENDA: Disk-Ingressos (Loja Palladium - de segunda a sexta, das 11hs às 23hs, aos sábados, das 10 às 22 horas, e aos domingos, das 14 às 20hs, -  e quiosques instalados nos shoppings Mueller e Estação - de segunda a sábado, das 10hs às 22hs, e aos domingos, das 14hs às 20hs), Call-center Disk Ingressos (41) 33150808 (de segunda a sexta, das 9h às 22hs, e aos domingos, das 9 às 18hs) e pelo portal www.diskingressos.com.br. Informações: 41 33150808.

Serviço
1º Curitiba Jazz Festival
21, 22 e 23 de outubro
Rua Nilo Peçanha, 243, São Francisco
Censura: 18 anos

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Curtinhas Rock Riu 6

Mastodon, aula de heavy metal atual, sem saudosismo ou "contemporaneidades modernosas". Que Bandaça!

Curtinhas Rock Riu 5

Steve Vai é a prova viva de que se mastubar com técnica e elegância resulta em fama e dinheiro.

domingo, 20 de setembro de 2015

Curtinhas Rock Riu 4

EXTRA! EXTRA!
Após Dani Monteiro, do Multishow, falar que Elton John fez sucesso nos anos 80, a repórter admite que estudou a carreira do músico pelo DataFolha.